Prega a Palavra

“Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15)

  Nessa passagem temos duas palavras que completam o evangelho e preparam os corações para a entrada do Reino de Deus: “arrependei-vos e crede”. Isso me lembrou de um livro que li, há muitos anos atrás, do Pastor John MacArthur Jr., intitulado O evangelho segundo Jesus. Nesse livro, ele nos alertava sobre o perigo de apresentarmos “meias verdades” sobre a mensagem do Evangelho ao invés de pregar a verdade completa. Arrependimento e fé foram as palavras utilizadas por nosso Senhor no início do seu ministério. Juntas são importantes para que o “princípio do Evangelho” não perca sua consistência e nem sua integridade seja comprometida. Portanto, se separarmos o arrependimento da fé, teremos um evangelho sem Cristo porque a fé olha para a obra consumada da redenção; se separamos a fé do arrependimento, então teremos uma fé ociosa que não luta com o pecado em suas veias ou uma fé religiosamente cínica que não se quebranta diante das boas novas. Arrependimento sem fé pode ser remorso; fé sem arrependimento pode ser presunção.

  Arrependimento aponta para a realidade devastadora do pecado e de lidar com a depravação profunda do nosso coração. Somos confrontados pelo dilema de que nossos maiores empreendimentos morais e religiosos não escondem a falência espiritual de nossa justiça própria diante de um Deus santo e de perfeição moral absoluta. Um Evangelho sem arrependimento pode produzir muita religiosidade, confundir santificação com desempenho moral, além de muitos corações endurecidos sem quebrantamento genuíno. Pessoas podem passar anos na igreja e, assim como as “noventa e nove ovelhas justas, acharem que podem ser “cristãs” sem a crucial necessidade de arrependimento. Em suma, a genuína experiência de arrependimento é uma mudança de percepção sobre nós mesmos e da ruína dos nossos caminhos, e é a evidência de que não somos tão “bons” como pensamos, mas que carecemos da bondade interventora da graça de Deus para darmos a meia-volta.

  Outro componente mais fundamental é a fé. Sem ela, o arrependimento seria como solo estéril para o evangelho, reduzindo-o a um programa de dieta moral ou uma vida cristã ascética. Sem a fé, à semelhança do peregrino de John Bunyan que caiu no pântano do desânimo, afundaremos em culpa, frustração e desespero. Judas, após a traição, foi levado ao desespero, pois suas lágrimas não vieram acompanhadas de fé para correr até a misericórdia e graça de Deus, mas o levaram a se precipitar na perdição. Em contrapartida, Pedro, que negou o Filho de Deus, regou seu coração contrito com a fé ao encontrar arrependimento e consolo no perdão e no colo dAquele que mais tarde lhe diria: “apascenta as minha ovelhas” (João 21:17). Assim  A fé se enraíza em Cristo e nas Suas promessas. No livro de Hebreus, capítulo onze e versículo seis, é dito que “sem fé é impossível agradar a Deus”. Todos os nomes mencionados nesse capítulo venceram pela fé porque olharam para a suficiência de Cristo como autor e consumador da fé. A fé se submete aos termos do Reino de Deus, abraça Jesus em todos os seus ofícios (Rei, sacerdote e profeta), glorifica e enaltece a cruz como as boas novas plano de salvação e encontra nela a certeza da reconciliação e da paz com Deus Pai, pelo sangue e mérito perfeito de Jesus Cristo, seu Filho, mediador de uma aliança eterna de amor para aqueles que creem e descansam em Sua obra.

 

Portanto, “Arrependei-vos e crede”!

 

Por Clayton Casteluchi Dias

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